Um conhecido, recentemente afirmou ter mais dificuldade, de todos os pontos do calvinismo, com a "graça irresistível". Para ele, soava um tanto estranho que o homem não pudesse resistir à graça de Deus.
Eu o ouvi atentamente, e, alguns minutos depois perguntei:
- Quando a vontade de Deus se choca com a do homem, qual prevalece?
Pude ver no seu olhar a angústia em responder. Por um lado, ele não queria negar a onipotência e soberania de Deus. Por outro, ele não queria diminuir a liberdade humana.
Essa é a cruel tensão com a qual precisam lidar aqueles que não acreditam na graça irresistível. Enquanto a Escritura demonstra a soberania absoluta de Deus - ensinando, por exemplo, em Dn.4.35, que não há quem sequer possa deter a mão do Senhor e Lhe dizer: "que fazes?" - o desejo interno de preservar alguma liberdade, algum poder nas mãos do homem ainda seduz tais pessoas.
O grande problema é que afirmar a possibilidade de resistência por parte do homem, é pressupor - pelo menos no que diz respeito à salvação - a igualdade de poder entre Deus e o homem. Ou pior: se o homem pode "barrar" a vontade salvadora de Deus, no fim das contas ele possui maior poder que o Altíssimo.
Ninguém conscientemente afirma isso. Mas não acreditar que a ação salvadora de Deus é irresistível por parte do homem, é negar a divindade de Deus.
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1 comentários:
Pr. Allen,
infelizmente, muitos não se aperceberam do grande e grave problema que apelar para a resistência humana a Deus implica: tornam-nO refém do homem, e Sua vontade subordinada a dele. Não perceberam ainda a incoerência desse princípio antibíblico. Colocam Deus no papel do impotente, que quer a salvação do homem, que a deseja ardentemente, mas não pode garanti-la, exatamente porque a vontade humana está alguns patamares acima, colocando a vontade de Deus subserviente e condicionada ao desejo humano.
Seria o mesmo que dizer a Deus: o que você quer ou deseja de nada vale, é imprestável, inútil, se eu não quiser.
Então, pergunto: seria esse o Deus bíblico? Quem é o "manda-chuva" afinal?
Com a resposta, os arminianos e semi-pelagianos brasileiros.
Grande pequeno texto.
Cristo o abençoe!
Abraços.
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