O pós-modernismo

Estou em viagem a trabalho. Não me sendo possível escrever, e não desejando eu que os 5 Calvinistas fiquem sem uma postagem hoje, segue mais um artigo da série “era uma vez no meu blog”…

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Pensadores pós-modernos provavelmente não se classificam como tal. Isso não surpreende, pois é uma atitude tipicamente pós-moderna o confirmar-se ao se contradizer. Eu já disse que não tenho nenhum respeito e, ao contrário, desprezo completamente esta “fé que pensa que pensa”, embora na ocasião desta afirmação eu tivesse em mente mais que o engodo pós-moderno. E eu também não teria qualquer preocupação em relação aos seus absurdos se estes ficassem restritos aos brilhantes intelectuais que se apegam desesperadamente às contradições de suas muito bem elaboradas mentiras. Novamente: “por que eu deveria levar tais pensamentos a sério”?

Mas o pós-modernismo é um engodo que se faz presente, mais do que apenas em intelectuais sem relevância, na própria mente deste século (alguns diriam geist ou inconsciente coletivo ou ainda uma outra coisa qualquer; eu prefiro o termo e o significado bíblicos), aliás, assim como os diversos marxismos, psicologismos e darwinismos (ah, esta lista de ismos não teria fim, mas este é um bom resumo). É senso comum! Tudo está bem gravado e atuante na mente e na linguagem do homem contemporâneo. E isso, enfim, é grave. Pois perturba a mente da própria Igreja que, afinal, é feita de homens no mundo.

Há vários exemplos disso que estou dizendo. Mas, para não ir muito longe, basta ler este artigo: Absolutamente não sei, de Jorge Camargo. Um excelente arrazoado sobre este artigo é feito por Edson Camargo em Os sofismas da “fé” pós-moderna, pelo que não preciso acrescentar muita coisa. Apenas que, nos comentários a este último artigo, alguém (identificado lá como Oliveira Jr.) indica um texto que trata sobre a pós-modernidade. Este texto é de A. C. Portinari Greggio em A filosofia do Chacrinha. Vale a pena citar um trecho, pois ele demonstra porque o pós-modernismo não deve ser levado a sério (enquanto sabedoria deste mundo):

(…) a parte mais complicada da doutrina “pós-moderna” trata da teoria do conhecimento. Baseados em interpretação primária e superficial do princípio da incerteza de Heisenberg, os “pós-modernos” decretaram a falência das ciências exatas. Em lugar do raciocínio, propõem a “imaginação” e demonstram que os métodos das ciências exatas não são exatos nem melhores do que a intuição ou os devaneios de qualquer pessoa. Quem quiser contestá-los terá muito trabalho por nada, pois os “pós-modernos” retrucarão que tudo o que o opositor falou foi dito numa certa linguagem, e toda a linguagem é formada de significantes que só têm significado em referência a outros significantes arbitraria e subjetivamente evocados pelo ouvinte; de modo que tudo o que se diz tem um nexo para quem diz, mas tem outro para quem ouve, de modo que os nexos não têm nexo. A linguagem não corresponde à realidade – que, aliás, não existe, mas é socialmente construída – e ninguém pode provar nada por intermédio dela; e como também não é possível dizer nada sem ela, fica provado que não se pode provar nada. Assim, não existe a ciência positiva, já que não pode ser afirmada nem negada. Indo mais fundo, conclui-se que não há proposições a que se possa atribuir valor lógico, ou seja, afirmar que são verdadeiras ou falsas. Logo, não existe lógica. Mas também não é possível provar que a lógica não existe porque tal prova se faz na mesma linguagem que, como vimos, não diz nada. Assim, a lógica não existe, mas, ao contrário, também pode existir, pois não se pode afirmar que não existe sem admitir que existe. E tanto faz. Não estou brincando: o negócio é assim mesmo.

O filósofo inglês Malcom Bradbury publicou uma sátira a essas teses “pós-modernas”. É a biografia do grande autor francês Mensonge[1] que, tendo nascido, não existiu, mas em compensação viveu e foi autor de vários livros, embora nunca tenha escrito nenhum. Morando em Paris, onde não residia, Mensonge tinha grande influência sobre ninguém: e isto o tornava famoso em lugar nenhum, por suas opiniões radicais sobre nada, que, no entanto, abrangiam tudo, e muito ao contrário.

Ah, a falta de absolutos! Oh, Igreja, não se deixe enganar. Nem por um instante sequer. É sempre mentira, não importa o quanto tenha aparência de sabedoria ou quanto seja ampla sua aprovação por este mundo. É mentira! Assim como foi e é desde o Éden! Mas, pela Graça, não o será para sempre!

Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. Pois está escrito: “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes”. Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o questionador desta era? Acaso não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação. Os judeus pedem sinais miraculosos, e os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e a fraqueza de Deus é mais forte que a força do homem (I Co 1.18-25).

“Porém nós, cristãos, temos por fundamento o Absoluto, o Criador, a Origem, o Logos, o Eterno, o Imutável, o Ser, a Razão de ser de tudo o que há, que houve ou há de ser, Aquele que não apenas pode, mas que efetivamente dá a tudo sua significação e Aquele em quem, enfim, a razão é, efetivamente, possível”! Busquemos, pois, o Logos, a Sabedoria e a Verdade!

SOLI DEO GLORIA!

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[1] Mensonge significa mentira, em francês.

Roberto Vargas Jr. é editor do blog homônimo e escreve às sextas-feiras no 5 Calvinistas.

1 comentários:

Hermes C. Fernandes disse...

Que bom encontrar alguém que milita na mesma causa, com firmeza e equilíbrio.

Parabéns pelo belo trabalho apresentado em seu blog. Já estou seguindo.

Aproveito para lhe convidar a conhecer o meu blog, e se desejar também segui-lo, será uma honra.

Seus comentários também serão muito bem-vindos.

www.hermesfernandes.blogspot.com

Te espero lá!

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