Celibatário ou abrasado?

Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro. E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado. (1 Coríntios 7:7-9)

O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido. Digo isto em favor dos vossos próprios interesses; não que eu pretenda enredar-vos, mas somente para o que é decoroso e vos facilite o consagrar-vos, desimpedidamente, ao Senhor. Entretanto, se alguém julga que trata sem decoro a sua filha, estando já a passar-lhe a flor da idade, e as circunstâncias o exigem, faça o que quiser. Não peca; que se casem. Todavia, o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas domínio sobre o seu próprio arbítrio, e isto bem firmado no seu ânimo, para conservar virgem a sua filha, bem fará. E, assim, quem casa a sua filha virgem faz bem; quem não a casa faz melhor. (1 Coríntios 7:32-38)
Quando se fala em relacionamentos, com certeza o celibato é o assunto menos tocado e explorado nas igrejas cristãs. Mesmo nas igrejas católicas, quando os fiéis querem saber sobre celibato é para discutir o seu fim...pelo menos para padres e freiras. No entanto, há ótimas razões pelas quais deveríamos refletir sobre este tema.

Em primeiro lugar porque a quantidade de homens e mulheres não é a mesma. Se o padrão bíblico é o de um homem para uma mulher, fica óbvio que, na melhor das hipóteses, sobrarão mulheres. Se o universo for reduzido às igrejas cristãs, a diferença costuma ser ainda maior.

Em segundo lugar porque um número cada vez maior de pessoas têm rejeitado o casamento e optado por ficarem solteiros pelas razões erradas. Viver tendo relações sexuais esporádicas ou casos sem compromisso, casais amaziados e inúmeros outros arranjos sentimentais são vistos pelos cristãos como alternativas melhores ao casamento. O celibato...bom, quem cogita que a vontade de Deus para a sua vida seja o celibato?

Como o mundo vê o celibato
Em terceiro lugar porque é visível o aumento no número de cristãos que ficam sozinhos e castos...também por motivos errados. Pessoas que, na prática, são celibatárias, porque se decepcionaram com relacionamentos afetivos ou não acharam alguém que satisfizesse seus requisitos ou que simplesmente "sobraram" e se sentem sozinhas e frustradas.

E o que todas estas pessoas precisam aprender sobre o celibato?

O celibato é bom
Vou começar pelo mais chocante. Ser celibatário não é um castigo, uma prisão ou uma maldição lançada por Deus para oprimir alguns de seus filhos. O ensino bíblico é o de que o celibato pode ser algo bom. Vamos reler 1 Coríntios 7:7-8.
Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro. E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo.
Aqui, o apóstolo Paulo diz que ele quer, ele deseja, que todas as pessoas sejam como ele era: celibatário. Aliás, Paulo não foi o único: Jesus, o exemplo supremo para a Igreja viveu no celibato. Mais do que isso, Paulo diz aos solteiros e viúvos que seria bom se eles permanecessem sozinhos.

Muitos (e eu sou um dos que mais incorrem neste erro) constroem os seus ideais de segurança, felicidade e bem-estar em cima de outras pessoas. Se uma outra pessoa nos acha especiais ou importantes, ficamos felizes. Se a pessoa amada ou desejada nos despreza, ficamos abalados ou com orgulho ferido, e ou desabamos em choro ou tentamos mostrar a ela o quanto nós somos bons, desejáveis e "não precisamos dela".

O verdadeiro celibatário mostra que o nosso valor independe do que as pessoas acham de nós. Mostra que um ser humano pode ter uma vida significativa mesmo sem um casamento. Ajuda os casados a não colocarem os seus casamentos como ídolos, como fontes de bênçãos e satisfações que apenas Deus pode dar ao ser humano. Mais do que isso: o celibatário mostra que o sexo não é necessário para uma vida plena e feliz.

Celibato não é viver abrasado
Esse é exatamente o ensino de 1 Coríntios 7:9, quando afrima que casar é melhor do que viver abrasado. Viver abrasado, em fogo...é viver uma vida cheia de desejos e práticas sexuais impróprias. Vai desde o adolescente que arde em masturbações até os jovens adultos que vivem debaixo do mesmo teto, tendo relações sexuais e não decidem se casar..sem se esquecer dos adúlteros e dos que se divorciam por sexo ou "amor". Segundo a Bíblia, estes são os que vivem em pior situação.

Afinal, a Bíblia diz que ser celibatário é melhor do que casar (vou explicar isso no próximo ponto). E que casar é melhor do que viver abrasado. Logo, a ausência de relações sexuais é uma parte obrigatória do verdadeiro celibato.

Eu acho até compreensível que muitos considerem a vida abrasada a melhor opção. Afinal, prazer sem compromissos e cobranças parece uma tentação atraente. No entanto, isso também significa relacionamentos mais vazios e superficiais e pessoas mais egoístas, que gostam de usufruir do corpo das pessoas mas não querem se doar para ajudá-las a crescerem, a amadurecerem, a enfrentarem as dificuldades da vida e serem felizes. Mesmo no concubinato, a vida abrasada ainda mostra a rebeldia do coração humano em se sujeitar às leis de Deus.

Hoje o celibatário tem uma mensagem poderosa para anunciar ao Ocidente: sexo não é tudo! Não precisamos de sexo para sermos felizes. Uma vida humana não é mais plena por causa de sexo! Parece impossível...mas sim...é perfeitamente possível termos uma vida significativa sem pornografia, masturbação, fornicação ou outras imoralidades sexuais. O sexo não controla a nossa vida!

O celibatário vive para Deus
Mas, se nem o casamento e nem o sexo determinam o valor e a felicidade de um ser humano, o que define? A resposta bíblica é simples: a glória de Deus. O celibato é melhor que o casamento por uma razão muito simples:
O que realmente eu quero é que estejais livres de preocupações. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor; mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido. Também a mulher, tanto a viúva como a virgem, cuida das coisas do Senhor, para ser santa, assim no corpo como no espírito; a que se casou, porém, se preocupa com as coisas do mundo, de como agradar ao marido. (1 Coríntios 7:32-34)
O verdadeiro celibatário não é aquele que usa o seu tempo livre, o seu dinheiro, a sua ausência de preocupações...para servir a si mesmo ou aos seus prazeres pecaminosos (viver abrasado). O verdadeiro celibatário é aquele que devota a sua vida para o serviço a Deus. É alguém que usa o seu tempo livre, o seu dinheiro extra e todas as vantagens da solidão para estar mais próximo de Deus.

E aqui vem uma aplicação incômoda. O celibato, assim como o casamento, é um dom de Deus (1 Coríntios 7:7). É a escolha deliberada de um tipo de vida. Ficar solteiro para ter mais tempo para si mesmo ou para não se desgastar com outras pessoas...é egoísmo, e não celibato. Ficar só, mas morrendo de raiva ou de tristeza porque não se casou não é celibato. Não há nada de nobre no egoísmo, na incredulidade ou no sentimento de que Deus se esqueceu de nossos desejos (casamento é desejo, não necessidade).

Na verdade, o que vive abrasado é o mais infeliz porque vive para si. Os que se casam são melhores porque vivem para servir ao próximo, mais especificamente a família (cônjuge e filhos). O celibatário é ainda melhor porque pode se dedicar de um modo muito especial Àquele que, efetivamente, define a nossa vida, o nosso valor e a nossa felicidade: Deus.

Uma pergunta que todos devem se fazer
Deus chama os seres humanos para uma vida de serviço ao outro, e não para uma vida de egoísmo. Um chamado que só é atendido de modo pleno pelos Seus filhos, seja no contexto do casamento ou do celibato. Ambos devem pregar com suas vidas o quanto as pessoas (família) e Deus são importantes. Uma mensagem que só é eficaz se tivermos casados e celibatários.

Por isso, todo cristão deveria orar e perguntar a Deus qual o seu dom: casamento ou celibato. E se a resposta for "celibato", é preciso que a Igreja volte a aprender a nobreza e a importância deste dom. É preciso que aprendamos com os celibatários qual deve ser a verdadeira razão de nossa vida: servir a Deus.

O teólogo anglicano John Stott é celibatário e dedicou sua vida a conhecer e explicar as Escrituras
Este foi o modelo dado por Jesus. Ele não teve esposa e filhos, mas viveu para amar intensamente a Deus e a todos quantos O buscaram. Dedicou-se por nós mais do que Tristão por Isolda ou do que a mais prestimosa das mães fez por seu filho(a) favorito(a). E Deus o tornou maior do que todos os pais e maridos da face da Terra. De todos, tenho certeza, ninguém foi mais feliz do que Cristo.

Que possamos aprender com Jesus, com Paulo, com John Stott e com todos os verdadeiros celibatários qual o real valor e propósito de nossa vida: a glória de Deus! Amém. Glórias sejam dadas ao Senhor!

1 comentários:

Norma disse...

Helder,

Está perfeito seu tratamento do assunto! Adorei mesmo. De fato, hoje há cristãos que se apressam em considerar o celibato para suas vidas, sem perguntarem a motivação para tal, mas com egoísmo e um sentimento de desilusão com relacionamentos amorosos. Eu costumo sempre dizer: celibato é para poucos, bem poucos.

Grande abraço!

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