No princípio, criou Deus os céus e a terra. (Gn 1.1)
Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. (Gn 1.31)
Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. (Gn 2.15)
Ao pensarmos na criação, o que nos vem à mente é, além do próprio ato criador de Deus, aquilo que está mencionado no primeiro capítulo de Gênesis: os céus, a terra e tudo que neles há. Embora possamos incluir o “mundo espiritual” nesta criação, restringimos o significado do termo “criação” ao ato único que trouxe tudo à existência, como se esta ação fosse de um passado remoto, restrita àquilo que inicialmente veio a existir. No entanto, nos esquecemos completamente que é por este mesmo decreto único que tudo se sustém. É pela mesma Mão que tudo que ocorre vem a ocorrer. A Providência é a mesma Criação na Eternidade!
Com isso intento dizer que todas as ações humanas são também criação: tudo aquilo que envolve o “cultivar e guardar”. Isso também é criado. Nosso Deus não é o deus do deísmo que cria e deixa tudo a sua sorte. Não! Pela mesma Palavra Ele cria e sustém. Pela Sua santa e soberana vontade fez a realidade e a mantém. Por Sua Voz dá a tudo o significado que deseja!
É de fato difícil pensar assim ao olharmos ao redor, por conta do pecado e de todo o mal que é derivado dele. O que nessa cultura idólatra convém à criação de Deus? É verdade, mesmo aquele que reconhece a soberania de Deus sobre este mundo caído se abala por um instante, antes de lembrar que a redenção, por fim, trará de volta a criação ao estado de perfeição original. Ou mais: fará da criação transformada no porvir algo que mostrará ainda mais a glória do Criador! A imperfeição presente é apenas um interlúdio ou um piscar de olhos entre a perfeição passada e a futura... Sim, um longo piscar de olhos para nós, mas que nada conta nos tempos eternos do porvir!
Sim, vivemos em imperfeição. Vivemos neste interlúdio quando o que se cultiva e guarda é mais a imperfeição "adquirida" que a perfeição criada. A imperfeição, porém, não é algo que somos. Não é nossa essência, não é o que significamos segundo o Verbo. Em Deus somos perfeitos. Eis que tudo Ele trouxe à existência e de tudo que fez disse: é muito bom! Assim, tudo que é bom o é simplesmente por ser. O ser é bom enquanto ser. Neste sentido, a imperfeição jamais pode ter o atributo do ser. Num sentido bem agostiniano, a imperfeição não é algo que somos, mas algo que nos falta. Não é a imago Dei, mas a distorção dela. Nossa imperfeição é estarmos aquém da imagem criada, é sermos espelho embaçado, é termos perdido a perfeição do Adão recém criado.
Logo, a imperfeição implicará, em algum sentido, em não-bom. A criação imperfeita nunca poderia ter o veredicto de Deus: é bom! Esqueçamos, portanto, apenas por um breve instante, da queda e de seus efeitos. Pensemos na criação em perfeição, feita para a glória de Deus. Não tivesse Adão desviado o olhar da Santidade de Deus e voltado os seus olhos para si mesmo em orgulho, não apenas o que ele é, mas tudo o que ele faz, o “cultivar e guardar”, tudo seria um glorioso louvor ao Criador. Tudo seria como era e como sempre devia ser: muito bom!
Tudo seria, mas também será! Esta é a promessa da redenção. É por isso que a criação geme em expectativa pela restauração do homem conforme a imagem do Segundo Adão! E aqueles que foram chamados a viver conforme a Sua imagem já experimentam as primícias do que é “muito bom”. Neste século de imperfeição, entretanto, o que cabe a esses eleitos é levar cativo a Cristo todo o “cultivar e guardar” destes tempos, certos de que tudo será renovado pelo próprio Deus no devido tempo! E então não restará nem sombra de imperfeição! Tudo será para Sua glória! Somos feitura dEle. Para sermos dEle eternamente! Glórias a Deus!
Somos distintos de Deus sem sermos à parte dEle! Mistério e maravilha! Glórias a Deus! Fomos criados para sermos perfeitos, à imagem e semelhança do Filho! Fomos redimidos para sermos um deus sem nunca o sermos! Mistério e maravilha das maravilhas! Glórias a Deus!
SOLI DEO GLORIA!

0 comentários:
Postar um comentário