Nostalgia

Sempre temos uma nostalgia por algo que nunca vivemos. Seria bom se esta nostalgia fosse sempre algo como aquela de quem ouve Elvis Presley e diz: “Ah, eu devia ter nascido umas décadas antes”. Ou então de quem vê um filme de época e deseja o romance ingênuo dos anos 60 como apresentado na tela. Mas qual? Nem sempre a saudade possui este senso estético!

Pois ingênuos estéticos são minoria. É o que revela a afirmação, recentemente feita alhures, e aceita entusiasticamente por uma maioria “pluralista” de nosso país, acerca do tráfego de escravos: “toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais”. À parte das inconsistências históricas e sem entrar no mérito do preconceito que gera preconceito, temos ocidentais a lutar contra sua própria “ocidentalidade”. Não importa que aquele que aceite a afirmação seja negro, branco ou mestiço. Ele é um ocidental, herdeiro de toda cultura e história que vêm de séculos (mas ele prefere olhar aos orientais para dizer “cultura milenar”)... É um ocidental que nega a si mesmo.

É um ocidental que nega o que é e olha com olhos compridos para a antiga União Soviética. Que olha com olhos gulosos para Cuba, para a China ou para a Coréia do Norte. É um livre que deseja ser controlado. Assim como meu idiota do RVJ, aquele que defendeu Cuba de um ataque que não foi feito. Falava como se fosse um cubano, ou como quem conhecesse a ilha não apenas de ouvir falar. Mas não, pois confessa, quando parte para o ataque:

Você pergunta por que eu (?) não vivo em Cuba e te deixo vivendo sua vidinha, que, aliás, você acha que é boa, pois deve ser isto que seu pai te falou. Infelizmente sou obrigado a ostentar a cidadania brasileira, pois foi neste país lindo, mas de uma classe ridiculamente mesquinha e obtusa, que ACHA ser rica, mas não passa de miseráveis comendo os restos dos verdadeiros ricos (a não ser que você esteja incluído no seleto grupo dos 10% verdadeiramente ricos do Brasil) que Deus, em seu infinito senso de humor, é só o que posso pensar, me jogou.

Um brasileiro que sonha ser cubano. Um brasileiro que gostaria de não ser o que é. Mais propriamente, um brasileiro que sonha com um mundo que seja uma enorme Cuba! Um brasileiro que quer ser um cidadão do mundo, sem sua individualidade, sem sua cultura, sem sua liberdade. Uma marionete do deus-Estado (ou do deus-partido?). Porém, pior que ser um brasileiro que queria ser cubano é ser um cristão, se de fato o for, que se submete a um outro deus...

As contradições daqueles que sofrem da saudade estatal saltam aos olhos. Mas não são maiores que as contradições de cristãos que sofrem deste mal. A verdade é que a nostalgia é algo de que o homem não pode fugir: Deus nos colocou esta saudade pela eternidade no coração (cf. Ec 3.11). Não é sem motivo que a alma do cristão suspira e desfalece pelo Reino. Mas o Reino não é o Estado. Nem o Estado é o Deus Vivo que reina.

A nostalgia se revela como um reflexo da cosmovisão de quem sente a saudade. Assim é que um cristão suspira pelo Reino. Ele sonha com um mundo governado e inspirado em todos os seus aspectos pelos princípios escriturísticos. Ele sonha com a justiça na Terra em um Reino em que liberdade, igualdade e fraternidade o sejam de fato, pois cativas a cristo. A tal ponto de clamar continuamente: “Maranata!”.

Mas de fato ingênuos estéticos e cristãos verdadeiros são minoria. E estes são a minoria das minorias! Não a visão do Reino, mas é a visão do Estado que predomina. Desde esquerdistas os mais ingênuos, convencidos pelo senso comum e que nem bem se sabem esquerdistas, até aos mais idiotas engajados o que predomina é a saudade pela soberania todo-poderosa estatal. Nenhum deus, nenhum senhor, exceto o Estado!

Que Deus tenha misericórdia de nós!

SOLI DEO GLORIA!

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