Ontem ouvia uma rádio a dar a notícia da prisão do tal serial killer de Belo Horizonte. Lá pelas tantas o repórter informa: “o acusado é evangélico, tendo recentemente pichado ‘Jesus’ num muro”. Bem, não me cobrem o teor exato da declaração, mas foi essa a informação dada.
O que me impressiona na reportagem é a irrelevância da informação de que o tal serial killer é evangélico. Não pela informação em si. É uma informação como qualquer outra. Mas nunca ouvimos que um assaltante, um assassino, um fora da lei qualquer é católico, budista, hindu, agnóstico, ateu ou qualquer que seja sua posição religiosa. Só ouvimos esta informação quando o tal é evangélico. Por que?
Não que me importe tanto com o rótulo “evangélico”. Há tanto lixo com este nome que há muito não o uso para mim mesmo. Prefiro simplesmente “cristão” ou “protestante” ou ainda, com mais freqüência, “reformado”. Também, não que o rótulo em si resolva a coisa, mas pelo menos tenho a chance de explicar os termos.
Mas, ora, este século se declara laico. Querem com isso dizer, a propósito do tema de que tratamos, que a posição religiosa de alguém é irrelevante para dizer quem ela é. Na realidade, por “laico” querem mesmo se referir a ateu. Porém, esqueçamos isso. Fiquemos apenas com a declarada irrelevância da religião. Se este é o discurso, se a religião não faz qualquer diferença, qual o sentido de mencioná-la?
Sinceramente, pouco me importa neste episódio qual seja a real situação espiritual deste indivíduo. Embora possa acreditar que, se pelos frutos conhecemos a árvore, estes frutos mostram que ele tinha Jesus mais em sua boca que no coração. Mas quem saberá de seu real estado. Deus o julgue!
O que me importa neste caso é a hipocrisia do discurso dos laicizantes, daqueles que pretendem um mundo absolutamente secular, em que a religião não tem vez. O que me importa é a sandice de seu discurso que se crê bom por ser “pluralista”, de um “não-preconceito” que se presta a condenar quem quer que clame o Nome que está sobre todo nome…
Não, na verdade eu não espero ingenuamente que eles se calem quanto ao discurso religioso. Eles não podem, pois o homem é um ser religioso. Quero apenas declarar o que penso destes hipócritas:
Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração. (Mt 12.34)
Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento. (Mt 3.7b-8)
A estes hipócritas, tanto quanto ao miserável serial killer “evangélico”, com o mínimo de compaixão que me causam, apenas oro: que o Aquele que tem o Nome que vocês desprezam tenha misericórdia de suas almas. Quanto a nós, os miseráveis que de fato já fomos alcançados por Sua eterna e graciosa misericórdia, já O tínhamos também desprezado. Porém agora, uma vez remidos por Seu beneplácito, que sejamos testemunhas fiéis do Amor!
SOLI DEO GLORIA!

3 comentários:
Roberto, graça e paz.
Estive pensando sobre suas colocações neste post, e percebi um outro lado dessa moeda: creio que, de certa forma, a sociedade emerge a sua visão dos "evangélicos", como aqueles que deveriam resplandecer. "A criação geme até agora com dores de parto a espera da manifestação dos filhos de Deus", podemos inferir a este fato que as pessoas esperam uma postura diferente de nós cristãos, impondo a nós a obrigação de viver essa diferença.
Por que não existe tanto sensacionalismo para outras religiões, para católicos, budistas, ateus? Talvez porque estes não pregam a salvação em Cristo através de uma vida de diferença. Talvez porque a natureza humana saiba que aqueles que se chamam pelo nome do Senhor são Seus representantes na Terra e têm o poder de apontar o caminho de volta à Deus.
Creio que este seja, talvez me expresse de forma exagerada, o clamor das nações por salvação.
Em Cristo
Jader, meu irmão,
É claro que há um outro lado. Ele pode passar sim pelo que você chama a atenção: que devemos ser luz nestas trevas. Não porque eles assim nos vejam (não creio nisso), mas porque de fato devemos. Porém, creio que tem ainda mais a ver com o discurso moralista evangélico. De todo modo, não nego que as coisas estejam relacionadas. Os que se chamam evangélicos devem ser luz, dizem ser e não têm sido. O discurso não corresponde à prática muitas vezes. (Embora haja outras questões correlatas aqui; como, por exemplo, que o discurso cristão não é meramente um discurso sobre moral. Mas isso daria um outro post! rs)
Mesmo assim, a hipocrisia do discurso "laico" deve ser desmascarada pelo que ele é em si mesmo!
Obrigado pela contribuição. Cabe aprofundar a coisa aqui, se quiser!
No Senhor,
Roberto
Robert, Graça e paz...
Claro, adoraria aprofundar mais sobre este assunto e sobre muitos outros. Sou apaixonado pela verdade e pureza do evangelho de Cristo e, quando possível, procuro me agarrar àqueles que receberam o conhecimento.
Para contatos: jaderplopes@hotmail.com
sodedeus@hotmail.com
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