Fora de moda

Sofisticação é o charme do ministério. Nada é mais sensual do que uma igreja cheia de atividades e "meios de revelação". O fetiche é tão intenso que, a cada dia surge uma nova expressão do fenômeno.

Mas eu falo "sofisticação" e não explico adequadamente o que significa. Refiro-me àquela idéia de que a Bíblia não é suficiente para a igreja, e assim se apela para as manifestações e atividades que requerem algum tipo de revelação extra-bíblica.

Alguns sujeitos babam por um sonho ou algo mais. Há pastores que decidiram parar de pregar a Bíblia e adotar o humor como chave do seu sermão. Outros utilizam o emocionalismo.

É estranho perceber uns indivíduos malucos por descobrir "o plano de Deus para a sua vida". Eles vivem em ansiedade, fazendo orações para descobrir se Deus deseja que eles façam vestibular, aceitem determinado convite, ou mesmo escovem os dentes.

A Escritura deixou de ser suficiente para essas figuras - é preciso algo além que "revele" a vontade de Deus, convença o auditório, e dê um tom de espiritualidade grandiosa ao corpo de cristãos reunidos.

Perto de tanta pompa, a mentalidade do Sola Scriptura ganha um tom de "pensamento pé-rapado". Os pobretões que buscam a Palavra de Deus e nada mais são sujeitos fora de moda.

A dificuldade está no fato de que, tantos artifícios podem desviar o olhar da Escritura para tais adereços. A criatura que depende de sonhos se esqueceu de ler a Bíblia regularmente, mas continua na busca pelas manifestações do travesseiro; o pastor das emoções parou de pregar a Palavra de Deus, mas continua desejando conversões com base nas lágrimas do povo; o líder do louvor explosivo deixou de lado as letras saudáveis da Escritura, e agora depende das músicas com chavões da moda e a sonoridade intensa.

Quando se está despido de tantos adereços, não há para onde olhar, senão para a Palavra de Deus. Não há outras manifestações e atividade, só a Escritura. E nesse meio, a beleza simples dos versos bíblicos revela sabedoria e poder de Deus como nenhum outro artifício consegue.

A Escritura caminha no sentido de nos fazer rejeitar a confiança em nossos métodos e atividades, para contemplarmos a graça de Deus. E assim o pobretão não-sensual com a Bíblia na mão está bem mais perto de uma vida autêntica e transformada pelo Espírito Santo.

Entre fetiches e fantasias, é a simplicidade que revela o real.

* * *

Allen Porto é blogueiro do A Bíblia, o Jornal e a Caneta, e escreve às quintas-feiras no 5 Calvinistas.

1 comentários:

Ricardo Mamedes disse...

É... você só se esqueceu de dizer que esses que adotam as Escrituras como Verdade absoluta, única revelação, além de pé-rapados, comumente são também tachados de não espirituais, ou crentes de segunda categoria. A busca de "sinais" exteriores é o grande mote dos cristãos da atualidade (salvo as exceções). Some-se a isto a grande quantidade de chavões. As igrejas, afora as raríssimas exceções, estão abandonando o culto racional e se embrenhando pelo pantanoso terreno da experiência humana.

Olha, não é sem tristeza que vaticino: está ficando difícil cultuar nas igrejas como instituição. Ainda bem que a Igreja invisível resiste bravamente. E nela nós permaneceremos!

Ótimo texto.

Abraços,

NEle,

Ricardo

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