Soli Deo Gloria!

Há alguns temas que tenho em mente e gostaria de tratar aqui. Entretanto, eles exigem um pouco mais de tempo e pesquisa do que me tem sido permitido nas últimas semanas. Não reclamo. Ao contrário, dou graças e glórias a Deus pelo sustento que ele me provê por meio do meu trabalho. Se este me exige tempo, tempo lhe darei. Porém, justamente isso que estou dizendo me sugere um tema sobre o qual posso rapidamente falar…

Na postagem anterior, o Allen diz:

Quando fala em cosmovisão cristã, o reformado entende que cada aspecto da vida humana precisa estar submetido ao senhorio de Cristo. A implicação disto é que as dicotomias como sacro/profano são abandonadas, e tudo passa a ser pensado com a mentalidade cristã.

Seu contexto toca em muitos outros aspectos, mas o que me chamou a atenção foi a questão da dicotomia entre sagrado e profano, entre público e privado. Nosso século é tão influenciado por esta dicotomia que as pessoas se tornam incapazes de ter uma visão unificada do mundo e de si mesmas. Elas se dividem entre suas vidas: há uma que é profissional, outra acadêmica, ainda outra pessoal e sei lá mais quantas ela possa inventar. Crêem haver uma forma de se comportar no trabalho e outra em casa. Uma forma de pensar na academia (seja na que se estuda, seja na que se malha) e outra na igreja. Esquecem-se que há um único “eu” em todas estas atividades.

Por isso, mesmo os cristãos, influenciados por esta dicotomia, não conseguem nem mesmo imaginar um viver o Soli Deo Gloria de fato. Eles imaginam que podem viver momentos “na presença de Deus”. Mas não atinam com uma vida toda e cada momento dela diante da Presença. Ora, para onde poderíamos fugir dEla? Mas não é de um atributo divino que quero falar, mas da finalidade do homem. E eu não me canso de repetir: nosso fim é doxológico. “Qual é o fim supremo e principal do homem?”, pergunta o Catecismo Maior de Westminster. E a resposta é “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”:

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus (I Co 10.31).

Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém (Rm 11.36).

Mas textos bíblicos já não convencem muitos que se denominam cristãos. Recentemente li um texto em algum blog (que já me fugiu da memória) de um muito esperto e deveras sábio cristão não-reformado que com palavras irônicas semelhantes a estas zombava das Escrituras:

Será que fazemos tudo para a glória de Deus? E isto intencionalmente? Será que fazemos amor para a glória de Deus? Será que vamos ao banheiro para a glória de Deus? Será que Deus é glorificado quando fazemos sexo? Será que Deus se satisfaz com nossas necessidades?

Sei que isso ofende a muitos ouvidos, sensíveis por demais, mas a resposta a estas perguntas, que se pretendem difíceis, dadas por aquele que entende ser a finalidade do homem o Soli Deo Gloria é um convicto e sonoro sim. Aquele que tem o calvinismo por cosmovisão coloca o homem em seu lugar e entende seu significado coram Deo. E, assim, sem a dicotomia sagrado/profano, entende que tudo que faz, seja o uso natural, sadio e correto do seu corpo, seja o prazer do amor sob Sua benção, seja qualquer outra coisa, tudo é culto ao Criador, tudo é para a Sua glória!

Mas alguém ainda pode zombar mais:

E ao pecar, dará você glória a Deus? E Deus é assim que precise da glorificação do homem?

É bem verdade que o cristão, ainda preso a este corpo de morte, ainda vive em lutas e tropeça. Nestes momentos, em nada glorifica ao seu Deus. Porém, ao reconhecer sua miséria e arrepender-se, se de fato o fez, recebe o perdão gratuito oferecido pela cruz e volta a prestar-lhe louvor. Louvor que é para Sua glória. Pois o Deus que o chamou é Aquele que o salvou de si mesmo e é capaz de o mal tornar em bem!

Deus não é mesmo carente de qualquer glória que Lhe seja externa. Ele basta a Si mesmo. Porém Ele resolveu criar, segundo Seu conselho. Para revelar Sua glória na criação, para revelar Sua glória nos eleitos. O homem que O glorifica não Lhe acrescenta glória alguma, mas reconhece a glória que lhe é devida!

Assim, desde as menores coisas até as maiores, desde dádiva da vida até a promessa da eternidade, desde os dias simples e comuns ao Dia do Senhor, desde as bênçãos ao mal que é tornado em bem, desde a planta do pé ao último fio de cabelo, desde a alvorada até o fim do dia, desde ventre até o Jordão, em tudo darei glórias ao Deus de minha salvação!

SOLI DEO GLORIA!

Roberto Vargas Jr. é editor do blog homônimo e escreve às sextas-feiras no 5 Calvinistas.

1 comentários:

Roberto Vargas Jr. disse...

Elano, meu caro,
Valeu por contribuir!
Pretendo falar mais sobre os lemas da reforma. Mas mesmo que não fale deles de forma direta, que eles estejam sempre a fundamentar tudo o que falamos e fazemos! Para a glória do Senhor!
No amor do Eterno,
Roberto

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