Sobre o amor de Deus: citando C.S. Lewis

Eu não sou muito ligado em datas ou eventos. Mas o Allen não me deixa esquecer! Ele diz que esta é a Semana C.S. Lewis (semana comemorada de 22 a 29 de novembro de cada ano). Lewis é um de meus autores preferidos. Gosto não só das Crônicas de Nárnia, que já li e reli diversas vezes, mas também de sua trilogia espacial (bem, só não gosto muito do terceiro livro da série) e de várias de suas obras não ficcionais, incluindo sua autobiografia, Surpreendido pela Alegria e outros clássicos seus, tais como Cristianismo puro e simples.

Clive Staples Lewis, também conhecido como simplesmente Jack, foi um escritor irlandês. Cresceu em lar cristão, mas cedo se afastou da fé. Sua história desde a descrença até sua relutante conversão é inspiradora e, após sua redenção, Jack se tornou um grande apologista. São várias as suas obras e, como diz o próprio Allen: “Se você ainda não leu algo de C.S. Lewis, não sabe o que está perdendo…” Lewis nasceu em 29 de novembro de 1898 e faleceu a 22 de novembro de 1963.

Aproveitando a Semana C.S. Lewis (e já que o tempo não me permitirá publicar o que pretendo), vale republicar no 5 Calvinistas uma postagem do meu blog. Não é só que o tema é bom. Não é só que é um belo devocional. É que ao citar Jack, quem sabe o leitor por aqui, que ainda não conheça Lewis, ou que não conheça os livros citados, quem sabe ele não fique estimulado a buscar a leitura dos originais!

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Sobre o amor de Deus: citando C.S. Lewis

Muitos afirmam que o termo religião, vem de religare, religar. De fato, a religião é geralmente a tentativa do homem de um retorno, um reencontro com o divino. É uma busca do homem pela divindade. O Cristianismo inverte essa lógica e apresenta um Deus em busca do homem. E as Escrituras apresentam uma linguagem muitas vezes dramática dessa busca de Deus. Deus é apresentado como em uma paixão incontida, como em um desejo profundo e por vezes desesperado. É claro que essa paixão é difícil de se pensar em um Ser que é Eterno e Imutável. Mas essa linguagem antropomórfica se justifica para que entendamos como o Deus pessoal da Revelação nos ama de forma incondicional.

cs-lewisC.S. Lewis aponta magistralmente para esse amor em seu livro O problema do sofrimento, no capítulo sobre a bondade de Deus. Ele cita certas passagens bíblicas que demonstram essa paixão do Criador. Diz ele: “O Impassível fala como se sentisse paixão, e aquilo que contém em si mesmo a causa de sua própria e de outras bênçãos, fala como se pudesse sentir-se carente e ansioso. ‘Não é Efraim meu precioso filho? filho das minhas delícias? pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração’ (Jr 31.20). ‘Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Meu coração está comovido dentro em mim’ (Os 11.8). ‘Oh, Jerusalém, quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!’ (MT 23.37)”. Mas Jack reconhece que “Deus não tem necessidades”. Mesmo assim, “Deus é Bondade”.

Então Lewis, com sua habitual excelência em trabalhar com as palavras, passa a nos mostrar como o amor de Deus é incondicional. Diz ele: “Ele (Deus) pode conceder o bem, mas não pode necessitá-lo ou obtê-lo. Nesse sentido todo o Seu amor é infinitamente desprendido pela sua própria definição; ele tem tudo a dar e nada a receber. Assim sendo, se Deus fala algumas vezes como se o Impassível pudesse sofrer paixão e a Plenitude Eterna pudesse ter qualquer carência, e carência daqueles seres a quem concede tudo desde a sua simples existência, isto só pode significar, caso signifique algo inteligível para nós, que o Deus do milagre tornou-se capaz de sentir tal anseio e criar em Si mesmo aquilo que nós podemos satisfazer. Se Ele nos quer, esse desejo é de sua própria escolha. Se o coração imutável pode ser entristecido pelas marionetes que Ele mesmo fez, foi a Onipotência Divina, e nada mais, que assim se sujeitou, voluntariamente, e com uma humildade que excede todo entendimento”.

Confirmando a inversão cristã Lewis ainda afirma que “o mundo não existe principalmente para que possamos amar a Deus, mas para que Ele possa amar-nos”. “Nossa mais elevada atividade deve ser a resposta, e não a iniciativa. Experimentar o amor de Deus de forma verdadeira e não ilusória, portanto, é experimentá-lo como nossa rendição à Sua exigência, nossa conformidade ao Seu desejo”. “Antes e por trás de todas as relações entre Deus e o homem, como agora aprendemos no Cristianismo, abre-se o abismo do ato divino do puro dar - a eleição do homem, do nada, para ser o amado de Deus”! A eleição do homem para ser o amado de Deus! Deus nos chama para sermos amados por Ele! “Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou” (I Jo 4.10a). Eu não tenho palavras para demonstrar aquilo que sinto ao pensar nesta maravilha.

E talvez maravilha seja a palavra certa. Novamente C.S. Lewis me socorre com suas Crônicas de Nárnia. No dia de Aslam, um extasiado calormano chamado Emeth narra aos narnianos seu encontro definitivo com a Presença. Recém redimido e ainda constrangido pela Verdade, ele se confessa a Aslam e ouve como resposta: “‘Amado’, falou o glorioso ser, ‘não fora o teu anseio por mim, não terias aspirado tão intensamente, nem por tanto tempo. Pois todos encontram o que realmente procuram’”. E assim Emeth termina sua narração: “Depois ele soprou sobre mim e fez cessar todo o tremor do meu corpo, firmando-me outra vez sobre os meus pés. Após isso, não disse mais muita coisa, a não ser que voltaríamos a nos encontrar e que eu deveria seguir sempre para frente e sempre para cima. Então voltou-se como uma tempestuosa rajada de ouro e subitamente desapareceu. E desde então, ó reis e damas, ando perambulando à procura dele, e minha felicidade é tão imensa que até me enfraquece como uma ferida. E a maravilha das maravilhas é ter ele me chamado de amado - a mim, que não passo de um cão...”. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

E a maravilha das maravilhas é ter ele me chamado de amado!

Soli Deo Gloria!

Roberto Vargas Jr. é editor do blog homônimo e escreve às sextas-feiras no 5 Calvinistas.

1 comentários:

Alex Malta Raposo disse...

Parabéns, mais uma vez, pelo blog.

Muito abençoador.

alexmaltta.blogspot.com
Evangelho da Graça

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